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Entrevista: SÉRGIO JIMENEZ PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Kart Ja   
Quinta, 19 Março 2009 16:22

Seis Vezes campeão brasileiro de kart, campeão Pan-Americano e campeão Norte-Americano, pole-position no mundial de kart realizado em Braga, Portugal no ano de 2000 dividindo a pista com pilotos como Robert Kubica, Nico Rosberg e o actual campeão mundial de F-1, Lewis Hamilton.

Esta é apena uma pequena parte do palmarés do nosso 1º entrevistado.

O Kart-Ja.com  teve o prazer de conversar com o brasileiro Sérgio Jimenez, considerado pelos especialistas como o melhor piloto de kart que o Brasil já possuiu e não só. Campeão da selectiva REPSOL de F-3 espanhola, correu algumas etapas da GP2 pela equipa Campos. Este paulista de 24 anos também foi responsável por levar a equipa do Brasil ao pódio da etapa da Malásia na A1GP.

Em nossa conversa, Sérgio Jimenez conta um poucoo sobre a sua carreira, a experiência de dividr a pista com grandes nomes do automobilismo e de seus planos para a temporada 2009. Revela também o trabalho de exerce na preparação de novos pilotos.

Confira a entrevista.

 

1 - Você nasceu em Piedade, cidade do interior de São Paulo, que não possui nenhum kartódromo. Como foi que conhecestes estes carrinhos? Conte um pouco de sua 1ª experiência.

Fui assistir a uma corrida no Kartódromo de Itu, no interior de São Paulo, logo após sua inauguração. Isto aconteceu no ano de 1994 e pouco tempo depois da morte do Ayrton Senna.
Lá conhecemos o pai de um piloto que nos levou, eu e meu pai ao vosso box e apresentou o mecânico que preparava o kart do filho. Daquela conversa combinamos uma 1ª experiência e depois não parei mais.

2 - Após isso, começou logo a competir ou passou 1º por um treinamento mais direccionado ás corridas?

Passei um período de 01 mês a treinar e logo depois participei de uma corrida. Cheguei em 2 lugar.

3 - Uma de suas características é os óptimos treinos classificatórios que realizas. Quando não partes na frente, estais ali nas 1ª posições. Ayrton Senna sempre dizia que a corrida começava no sábado pois deixar a pressão em cima dos outros pilotos era a melhor forma de partir com mais tranquilidade e por isso ele dava tanta importância a sair da pole-position. Você também acha que a corrida começa a ser ganha na classificação?

Acho os treinos cronometrados muito importante. Estar na frente lhe dá uma segurança e também as chances são muito mais altas de chegar na frente. Quando você não classifica bem, sempre há uma maior probabilidade de acidentes por estar no meio de tantos carros e você também tem muito mais trabalho a se livrar dos outros.

4 - Você vem de uma geração de ouro do kartismo brasileiro. Chegamos a ter mais de 10 pilotos brasileiros disputando o mundial de karting em Braga - Portugal no ano 2000 e muitos pilotos daquela época como o Tuka Rocha (F-Superleague), Bia Figueiredo (Indy Lights), Nelson Piquet Jr. (F-1) estão fazendo muito sucesso nas pistas do mundo. Aquela “turma” foi uma boa escola, verdade? Da nova geração de kartistas brasileira e não só, quem merece uma atenção especial em sua opinião?

Com certeza aquela geração foi uma das melhores que o kart brasileiro já teve. Foi muito bom ter corrido com todos e eles, de uma maneira ou outra, estão competindo e ligados directamente ao automobilismo. Hoje em dia não vejo ninguém saindo do kart com real potencial de chegar lá. Temos hoje uma boa categoria de base a Cadete e uma boa Júnior Menor, mais só vamos saber mesmo daqui há uns 4 anos se eles realmente farão carreiras e se alcançarão o sucesso.

5 - Falando no mundial disputado em Braga, no ano 2000, você conseguiu a pole-position dividindo a pista com ninguém menos do que Lewis Hamilton, Robert Kubica, Nico Rosberg, Mike Conway e muitas outras feras. Foi seu ponto alto no kartismo? Conte um pouco sobre aquele mundial...

No ano de 2000 fiz o campeonato Europeu pela Kart Mini, fábrica de chassis situado no Brasil e que formou uma equipe totalmente brasileira pela primeira vez na Europa.
Depois para o Mundial, eu troquei de equipa e fui para Birel-Iame.
Conheci o equipamento só na semana do campeonato, mas me adaptei rápido e tinha um grande apoio da Iame devido ao Walter Travaglini que, na época, era representante da Iame no Brasil.
Começámos muito bem fazendo a pole. Nas mangas eliminatórias tive diversos problemas: Correu o eixo em uma manga, quebrou o motor em duas outras, esvaziou o pneu em outra…
Mais conseguir ir para final e infelizmente quebrou meu motor.
Com certeza, o campeonato mundial de 2000 foi um dos mais fortes da história. Foram 146 pilotos, grandes nomes como citados acima e boa parte deles estão hoje ao redor do mundo correndo de alguma coisa.

6 - Falando em Lewis Hamilton e como ele acaba de se tornar campeão mundial de F-1, responda para nós: Ele é mesmo especial? Se fosse o Sérgio Jimenez o campeão do troféu "Campeões do Futuro" que a Mclaren patrocionou e que deu ao inglês o "apadrinhamento" do Ron Dennis, teria o Brasil mais um título de F-1?

Com certeza Hamilton é um bom piloto. Ninguém é campeão do mundo de Fórmula-1 a toa. Mas ele teve um apoio que nenhum outro piloto na história do automobilismo teve. Desde o kart Lewis tinha tudo, do bom e do melhor. Ele, a vida toda, só precisou se preocupar em pilotar, e isso é a melhor coisa do mundo! Você se preocupar só em fazer aquilo que precisa e mais ama fazer.
Acredito que se eu tivesse o mesmo tipo de apoio que ele teve eu estaria lá sim, a disputar o título mundial. Lutei e luto muito pelo meu espaço. Tudo que consegui até hoje foi fruto do meu suor e esforço. Ainda não desisti de chegar lá. Estou correndo atrás de um investidor para poder fazer um ano todo de GP2 e poder mostrar quem sou e o que posso fazer em pista. Tenho certeza que se tiver o apoio necessário o investimento que preciso posso fazer bonito.

7 - O automobilismo as vezes pode ser ingrato. Muitos pilotos de talento deixam de subir para novas categorias por falta de apoio. Hoje temos belíssimos pilotos como David Foré, Sauro Cesetti e Marco Àrdigo que se profissionalizaram no kart e não alcançaram sucesso em outras categorias. O que falta para que pilotos de talento possam dar seguimento em suas carreiras?

Com certeza o apoio financeiro e apoio de carreira. Alguém para orientar. Mas o principal é o financeiro. Se você não tem dinheiro hoje ou não é apadrinhado por alguém que tenha, é muito difícil chegar lá.

8 - Você é reconhecidamente um dos melhores e para muitos, o melhor piloto de kart da história do Brasil. 6 vezes campeão brasileiro, 9 vezes campeão paulista, campeão da Copa Brasil, campeão Norte-Americano, campeão Pan-Americano (ufa!) e recordista de vitórias. Qual o seu segredo de sucesso?

Acho que não tem segredo é simplesmente muita vontade de vencer sempre, dedicação, empenho e querer muito.

9 - Falando agora dos monolugares: Você saiu do kart e foi competir na Fórmula Renault Brasileira. Foi campeão e deu um banho na concorrência. A adaptação aos monopostos foi difícil? Qual profissional mais te ajudou nesta nova fase de sua carreira?

Quando sentei a primeira vez em um monolugar achei que seria mais difícil. Primeiro porque você quase não enxerga. Mais me adaptei muito rápido e gostei muito.
As pessoas que me ajudaram muito foram o Eduardo Bassani (Proprietário de equipas de competição no Brasil) e o Gigante(Amandio Ferreira). Aprendi muito com eles.

10 - Depois do título da Fórmula Renault, você rumou à Espanha e veio competir no óptimo campeonato de F-3 Espanhola. Mesmo sem conhecer os circuitos fez um belo campeonato com poles e vtória. O que faltou para a conquista do título?

Foi um ano óptimo. Primeiro que consegui a vaga para F3 espanhola através de um prémio oferecido pela REPSOL. Em 2005 estava andando de kart e surgiu uma selectiva REPSOL na Espanha onde exigiam curriculum. Mandei o meu e ele foi seleccionado junto com outros 5 entre 70!O teste era pago e eu não tinha dinheiro algum, mas ali estava a minha única chance de competir pois o campeão desta selectiva teria toda a época paga. Resolvi então vender o meu carro e participar mesmo estando 1 ano sem correr de automóveis e não conhecer as pistas.
Venci a selectiva e pude fazer toda a época de Fórmula-3. Foi um troféu maravilhoso. Fizemos óptimas provas com pole-positions e vitória, no final faltou um pouco de sorte e houveram quebras quando não se podia perder pontos.

11 - Após testes na World Series, você foi para a GP2. Pontuou em sua 2ª corrida mas, infelizmente sua continuidade no campeonato não foi possível. A GP2 é realmente um grande vestibular para a F-1?

A GP2 é com certeza hoje a categoria que melhor prepara o piloto para F-1. Os carro são muito parecido e os tempos de volta ficam entre 4,5 segundos de diferença. Temos paragens de boxes e andamos nas mesmas pistas.

12 - Aí, veio o convite do Émerson Fittipaldi para que fizesse parte do time do Brasil na A1 GP. O que você achou do carro e da categoria?

A categoria é um grande evento. Na época que pilotei o carro ainda era o antigo com motor Zytech. O carro novo projectado pela Ferrari não tive a oportunidade de conduzir, mas deve ser um excelente bólido.

13 - Conquistou um 2º lugar na Malásia e colocou o Brasil novamente no pódio depois de um longo jejum. O grande Émerson chegou a dizer que você foi impressionante e que, literalmente, levou o carro às costas. Elogio de qualidade, não?

Não é sempre que recebemos um elogio ainda mais de um bicampeão mundial de F-1. Meu trabalho na equipe foi bom. Me dediquei muito e estava muito focado. O Émerson é uma excelente pessoa para trabalhar na pista. Conversávamos muito e sempre trocávamos ideias sobre o carro. Ele é um cara muito técnico. Infelizmente não nos acertamos no contrato para continuar na equipe e acabei tendo que deixar.
Acho que fiz bem minha parte pois enquanto lá estive fizemos 38 pontos e depois que saí o pessoal não se acertou e fez somente mais 4. Gostaria muito de voltar a competir na categoria que é muito legal.

14 - Enfim, depois de tanto sucesso, infelizmente o grande salto e a solidificação de sua carreira em monolugares ainda não foi possível. É muito difícil a busca por patrocínios no Brasil ou você acha que é um problema global?

Acho que no Brasil é um pouco mais. Não temos uma grande empresa no País que apoie o automobilismo. Já tivemos a Petrobrás (Companhia de Petróleo do Brasil e actual fornecedora de combustível da Williams na F-1), mais hoje ela só patrocina a F-1.Por essa falta de apoio o Brasil deixou de gerar grandes pilotos. Um escasso número hoje corre fora do país. Comparado a outras épocas, o Brasil tornou-se um país sem expressão no automobilismo.Estou na busca de um investidor para dar continuidade na carreira. Tenho algumas conversas em andamento, mais nada 100%. Tenho fé que vou conseguir, e só vou desistir quando a idade não permitir mais ou algo parecido.

15 - Você actualmente é piloto oficial de kart da Birel-Sudam no Brasil. Quais os planos para 2009? Veremos novamente o Sérgio Jimenez nos circuitos do mundo?

O que quero de verdade é voltar a andar de GP2. Se não acontecer, vou estar aqui no Brasil trabalhando e desenvolvendo chassis para alguma fábrica. Estou negociando para o ano que vem já. Pretendo também voltar a andar de kart na Europa.

16 - Um trabalho que você também realiza é de coaching, ou seja, prepara pilotos em início de carreira para que possam lutar por vitórias mais bem preparados. No que consiste este trabalho? Se algum piloto de Portugal ou Espanha quiser te contratar, é possível? Como?

Venho fazendo esse trabalho a algum tempo e hoje sobrevivo disso e do trabalho com as fábricas de kart.
O trabalho consiste em orientar o piloto da maneira certa. Ele aprender logo de inicio o correcto. Como fazer o traçado ideal, ensinar ele a passar informações do kart para o mecânico, aprender a saber o que pedir também na hora de modificar o kart, a hora de ser rápido, a hora que tem de ter paciência, ajudar também a acertar o kart para o momento da competição, quando a pista vai emborrachando mais e etc..
Faço isso durante a semana da competição para obter o melhor resultado possível.
Sim é possível, é só entrar em contacto comigo através do meu site (http://www.sjimenez.com.br/) directo para combinarmos.

Sérgio, agradeço profundamente a sua gentileza em nos atender e saiba que toda a equipe do KART-JA torce para que consigas conquistar cada objectivo traçado. Conte connosco sempre e esperamos te encontrar pelas pistas do mundo.

Obrigado pela oportunidade de estar participando do site de vocês e é um privilegio ser o primeiro entrevistado.

 

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